Como soldar com elétrodo do zero
A soldadura com elétrodo revestido (MMA, ou SMAW) é o processo clássico: máquina simples, sem garrafa de gás e capaz de trabalhar ao ar livre. É por onde muitos soldadores começam. O segredo não está na força da máquina, está em controlar o arco.
Para começar: elétrodo 6013 de 3,2 mm, 90–110 A, chapa de aço de 6–8 mm, ao baixo. Arco com o comprimento igual ao diâmetro do elétrodo, inclinação de 5 a 15° no sentido do avanço e velocidade constante.
1. Antes de acender o arco
- Equipamento de proteção: máscara (DIN 10–11), luvas de couro, roupa de algodão sem partes sintéticas, botas e óculos para picar a escória.
- Chapa limpa: tira tinta, óleo e ferrugem com a rebarbadora até ao metal vivo.
- Massa perto da junta, presa sobre metal limpo.
- Área livre de inflamáveis e boa ventilação.
2. Abrir o arco
Há duas formas. Por raspagem: risca a peça com o elétrodo como um fósforo e levanta-o assim que o arco acende. É a mais fácil para quem começa. Por toque: toca na peça na perpendicular e recua depressa. É mais limpa, mas o elétrodo cola mais vezes até ganhares mão.
3. Comprimento do arco, ângulo e velocidade
| Parâmetro | Regra | Se errares… |
|---|---|---|
| Comprimento do arco | Igual ao diâmetro do elétrodo (≈3 mm com um 3,2) | Longo: salpicos e poros. Curto: o elétrodo cola. |
| Ângulo de trabalho | 90° em junta de topo, 45° em junta de ângulo | Cordão descentrado e falta de fusão de um lado. |
| Ângulo de avanço | 5 a 15° no sentido do avanço | Escória à frente do banho e inclusões. |
| Velocidade | Constante, com o banho a acompanhar as bordas | Rápida: cordão fino. Lenta: cordão gordo e furos. |
Lembra-te de que o elétrodo encurta enquanto soldas: tens de ir descendo a mão para manter o mesmo comprimento de arco.
Um arco estável soa a toucinho a fritar: um chiar uniforme. Um arco longo soa mais aberto e irregular. Um arco curto estala e rebenta muitas vezes.
4. Os 7 erros que deixam a soldadura feia e pingada
- Arco demasiado longo: salpicos, poros e cordão largo e irregular.
- Amperagem errada: a mais dá mordeduras e furos; a menos dá um cordão alto sem fusão. Vê a tabela de amperagem.
- Velocidade irregular: o cordão fica com “gomos” e espessura variável.
- Soldar sobre sujidade: tinta, ferrugem e óleo provocam porosidade, sobretudo no início do cordão.
- Massa mal ligada: o arco “cospe” e não funde, e parece que a máquina está fraca.
- Elétrodo húmido: arco instável e poros. Guarda os elétrodos em local seco (e o 7018 em estufa).
- Não tirar a escória entre passes: fica presa dentro da soldadura (inclusão de escória).
No e-book, o capítulo do elétrodo revestido inclui a tabela de elétrodos (6010 a 7024), os movimentos de oscilação e a tabela de defeitos com causas e soluções.
5. Plano de treino para as primeiras sessões
- Cordões a direito sobre chapa plana: o objetivo é só manter o arco estável e o comprimento certo.
- Cordões lado a lado, cada um a cobrir metade do anterior.
- Junta em T ao baixo (ângulo de 45°).
- Junta de topo com uma pequena folga.
- Só depois, vertical ascendente com menos 10–15% de corrente.
Depois de cada cordão, pica a escória e observa: largura constante, bordas bem fundidas, sem poros nem mordeduras. Ainda não sabes qual processo te serve? Compara em MIG, MAG ou TIG: diferenças.
Perguntas frequentes
Qual o melhor elétrodo para aprender a soldar?
Posso soldar com elétrodo em casa?
Porque é que a minha soldadura fica com buracos?
Soldar com elétrodo é mais difícil do que MIG?
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