Porosidade na solda: causas e como evitar os poros
Porosidade são pequenas cavidades no cordão, formadas por gases (hidrogênio, monóxido de carbono, nitrogênio) que ficam presos quando o metal solidifica. Às vezes os furinhos aparecem na superfície; outras vezes estão por dentro e só surgem quando você passa a esmerilhadeira no cordão.
As causas mais comuns são chapa suja (tinta, óleo, ferrugem, galvanizado), falta de proteção gasosa (vento, vazão errada, bocal sujo) e consumível úmido. O tipo e o lugar dos poros dizem qual é.
Diagnóstico: cada causa deixa uma “assinatura”
| Causa | Como aparece | Solução |
|---|---|---|
| Umidade no eletrodo ou consumível | Poros uniformes ao longo do cordão | Secar os consumíveis; pré-aquecer se preciso |
| Superfície contaminada (óleo, tinta, ferrugem) | Poros no início do cordão | Limpar com solvente e esmerilhar até o metal vivo |
| Proteção gasosa insuficiente (vazão, vento) | Poros na superfície | Acertar a vazão; proteger do vento |
| Arco muito longo (eletrodo revestido) | Poros esféricos espalhados | Encurtar o arco |
| Corrente muito baixa | Porosidade na raiz | Subir a corrente |
Tabela 12.1 do e-book A Forja do Soldador.
Porosidade na MIG: a lista de verificação
Na MIG, a proteção do banho depende só do gás. Quando aparecerem poros, confira nesta ordem:
- O cilindro está aberto e tem gás? Parece óbvio, mas explica muito “poro misterioso”.
- Vento ou ventilador perto da tocha: qualquer corrente de ar leva o gás embora.
- Vazão certa: 8–10 L/min com arame de 0,8 mm e 10–12 L/min com 1,0 mm. Mais não é melhor: gera turbulência e puxa ar.
- Bocal cheio de respingo: desvia o gás. Limpe e use spray antirrespingo.
- Vazamentos na mangueira, nas conexões ou no difusor.
- Tocha longe demais da peça: o gás não chega ao banho.
- Chapa suja ou galvanizada: limpe até o metal vivo dos dois lados da junta.
Gases e vazões em detalhe estão em gás para solda MIG. Se o difusor ou o bocal estão entupidos, a troca e a limpeza estão em bico de contato MIG.
Diagnóstico defeito a defeito
No pagamento do e-book você pode juntar o Diagnóstico de Defeitos (R$ 17,90): 10 defeitos com causa, correção e prevenção.
Porosidade com eletrodo revestido
- Eletrodo úmido: principalmente os básicos (7018), que ficam em estufa a 250–350 °C e fora dela aguentam de 4 a 8 horas.
- Arco longo: o revestimento deixa de proteger o banho. O comprimento do arco deve ser próximo do diâmetro do eletrodo.
- Sujeira no início do cordão: é ali que os poros aparecem primeiro.
A camada de zinco provoca poros e libera fumos tóxicos. Remova o zinco na região da solda com a esmerilhadeira, trabalhe com boa ventilação e nunca solde galvanizado em lugar fechado.
Porosidade no arame tubular
No arame tubular autoprotegido, a proteção vem do fluxo interno, então vento pesa menos. Aqui as causas mais comuns são arame úmido (carretel guardado aberto na garagem), chapa suja ou galvanizada e escória não removida entre passes. No tubular com gás (E71T-1M), vale a mesma lista da MIG: o gás também precisa chegar ao banho.
Rotina para prevenir
- Esmerilhe até o metal vivo, dos dois lados da junta, antes de soldar.
- Guarde eletrodos e arame secos e fechados.
- Limpe o bocal a cada pausa e confira o cilindro no começo do dia.
Antes de mexer na regulagem, faça um cordão curto numa sobra limpa, com o portão fechado ao vento. Se os poros somem, o problema é a peça ou o ambiente, não a máquina.
A porosidade é grave?
Depende da quantidade e do lugar. Poucos poros pequenos numa peça decorativa podem não fazer diferença. Numa peça que leva carga, a porosidade reduz a seção útil e pode dar início a trincas. Normas de qualidade como a ISO 5817, a AWS D1.1 e a ASME IX definem quanto é aceitável em cada caso. Em peça estrutural, o certo é esmerilhar a região e soldar de novo. Os outros problemas estão em defeitos na solda.
Perguntas frequentes
Por que minha solda MIG fica com furinhos?
Aumentar a vazão de gás resolve a porosidade?
Soldar em cima de ferrugem dá porosidade?
Como saber se os poros estão por dentro do cordão?
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